
Gentem, esse ano começou mesmo com gosto de gás! Acabei de chegar de mais uma viagem... Tudo bem que dessa vez foi a trabalho, mas viajar é sempre uma delícia! Faz bem pra minha alma, sabe?
Comentei até com mamãe, enquanto estávamos no aeroporto: "Sou tão viciada e maluca por essa sensação "de estar partindo para algo novo" que quando venho deixar ou buscar alguém no aeroporto, fico meio deprê, por não ser eu "a viajante", acredita?"
A loka, né? Eu sei... Ela também ficou passada com essa...
Bem, mas o fato é que me joguei em mais uma e, apesar de ter sido bastante estressante e puxado, acabei curtindo horrores. Conheci gente interessante, de bom papo... Gente despretensiosa, aberta... Gente que você não acredita que viveu tanto tempo sem conhecer... Ixe! Show de bola! Adorei tudo!
Agora, quando voltei, tive que segurar uma barra pesadíssima, junto com uma amiga. Explico: Ela estava completamente perdida, pois o carinha (Que eu também acreditava ser super bacana) com quem ela vinha se relacionando, tomou chá de sumiço! Isso mesmo, desapareceu, do nada... Just like that!

Fiquei meio chocada, pois acompanhei o relacionamento de perto e posso dizer, com toda autoridade que a nossa amizade de anos, me deu, que ele estava fazendo um bem enorme a ela! O contrário, já não posso afirmar com seguranca, mas o fato é que eles eram incríveis juntos!
Eu vivia falando para ela, que havia tirado a sorte grande, pois ele era um cara extremamente desencanado que a acompanhava nas farras (Sorry aos politicamente corretos, mas essa qualidade é de suma importância para a boêmia inveterada que vos fala, ok? hehehehe) sem implicar com a quantidade de bebida, com cigarro, com horário... Enfim, o cara era (É, né? Não morreu... Ou não... Vai saber... Sumiu...! Mas me reservo no direito de pedir licença à vocês para usar o pretérito perfeito (Que ironia!) sempre que me referir a ele, ok?) um sonho! E ao contrário do que podem estar pensando, não era um farrista irresponsável, tinha um bom emprego, era um batalhador, cumpridor de horários... Inclusive falávamos bastante sobre isso.
O entrosamento deles era perfeito! Tanto que as turmas se misturaram: Cheguei até a conhecer muitos amigos dele e ele, a maioria dos dela. Família entrou na jogada e tudo mais. Lembro quando ela me falou empolgadíssima: "Minha amiga, não acreditava nessas histórias de homem certo, de tampa da panela, mas como você me disse um dia: Esse levantou minha poeira, viu?" Fiquei muito feliz por ela, pois sabia que não era de se iludir fácil, do tipo bobinha... Mas mulher, por mais espertinha que seja, quando se envolve é uma m... E sabendo disso, ela me intimou a conhecê-lo.
Queria minha opinião, e, confesso, tive medo. E se eu não gostasse dele? Já havia bolado coisas do tipo: "O importante é que você está feliz" ou "Quem tem que gostar dele é você"... Velhos e bons eufemismos para aplacar uma possível rejeição de minha parte.
Mas a verdade é que o "galã de quinta" cegou até aos meus olhos de raio x...! Eu simplesmente AMEI o bofe! Divertido (Sem ser palhaço), agradável, inteligente, bom papo, educado, sem ser pedante e tratava essa minha amiga com extrema atenção e delicadeza... Depois de algumas farras juntos, tínhamos virado amigos de infância. E olhem que meu controle de qualidade é punk!!!
Depois do meu aval, alguns meses se passaram e o bem que ele estava fazendo a ela era notório. Saltava aos olhos, literalmente: A pele estava incrível! (Isso não é lenda, meninas!) Ela ria fácil, deu até uma emagrecida (Seguramos as pontas juntas, não foi, flor?) devo acrescentar que nem precisava, mas mulher sempre tem uns quilinhos sobrando.
O fato é que ela estava um arraso de ser humano! Sorrindo de verdade, acreditando nas providências, vendo mais graça nas coisas... E eu, em nenhum momento, mesmo com todo meu ceticismo, imaginei que a história fosse ter esse desfecho...
Era muito massa vê-la acreditando que realmente merecia um cara bacana!
Por isso, quando ela me ligou, contando, fiquei passada!

"O cara simplesmente sumiu do mapa...!" "Pera, como assim?" Perguntei. Não fazia o menor sentido, eles haviam até combinado uma viagem juntos... Só que mesmo assim, há alguns dias ele não a procurava.
Agora, como ela tinha essa "desculpa"; A de acertar detalhes como: Hotel, passagens... Ligou!
E ele? Bem, atendeu friamente, dizendo que depois retornava e... Até hoje...
"Que covardia", pensei.
"Como meu radar tão eficiente e quase que de tecnologia Alemã, deixou passar esse aí?"
A incerteza a estava atormentando, mexendo em seu relógio biológico, em seu rendimento no trabalho... Enfim, ela estava perdida! E o detalhe: Não conseguia olhar o perfil dele naquele famoso site de relacionamentos, pois tinha pavor do que poderia encontrar por lá.
Por isso, demos esse passo juntas. Acho que se fosse para fazer sozinha, iria precisar de mais tempo, o que eu, nesse caso, não via como uma coisa boa, afinal, ela estava perdidaça...
Procurei tartar a situação com o máximo de naturalidade possível, mas tenho que admitir: Estava uma pilha de ansiedade, também!
Foi quando vimos um recadinho em especial. (Não vou esquecer mais disso) Ela emudeceu... Ficou sem ação... Mas, imediatamente olhou para mim, com a boca trêmula, quase sem cor e disse: "Pronto, era disso que eu precisava, a incerteza estava me corroendo..." E acrescentou muitos palavrões e xingamentos, que convenhamos, são ultra necessários para aliviar aquela pressão no peito.

Fiquei chocada, mas não queria deixar que percebesse o quanto aquilo havia me abalado, também. Não consigo entender como as pessoas conseguem evaporar, deixar sentimentos alheios para trás, sem carregar o mínimo que seja de culpa? Que medo é esse do confronto? Me falta capacidade para captar como conseguem "deixar quieta" uma situacão que depende também delas para serem definidas.
Acredito que deva ter a ver com o mito criado em torno do: "Terminar por telefone (E-mail, SMS...)" mas eu, sinceramente, discordo que seja falta de consideração. Se namoramos por telefone, e-mail e afins, podemos "desnamorar", também através desses artifícios tecnológicos. Não considero ideal, mas o silêncio é beeeeeemmmmm mais cruel e cortante. Uma satisfação, por pior que seja, liberta o outro. (Os saudáveis, é claro!)
Sempre acreditei que quem se faz esperar, maldozamente, brinca de Deus, diabolicamente! Isso é fato!
Sei que foi para o bem dela, mas o descaso, perturba, atormenta e por vezes, adoece...
Por isso, eu, repudio a covardia! Tenho certeza de que não estou sendo injusta em minha análise, afinal um ser que é capaz de uma atitude como essa, não merece outro tipo de adjetivo.
E não tem essa de ser um pouco covarde. É uma classificação que não cabe o "em cima do muro", ou o cara é destemido e enfrenta seus medos e crises de peito aberto ou ele é um covardão que entrega suas decisões e angustias à ação do tempo para que ele se encarregue de ajustes e posturas que deveriam ter sido tomadas por eles lá atrás... FEIO DEMAIS!!!

Bem, logo depois da descoberta, levantamos da frente do PC, fomos para a varanda, abrimos uma "cerva" e ela, durante o nosso brinde, falou: "Nunca mais vou me envolver nesse tanto com um homem!" E eu, cumprindo magistralmente, meu papel de amiga, disse: "Não, você vai se envolver, sim!... Vai viver todas as oportunidades que a vida te apresentar, desde que sejam interessantes para você. Não tenha medo de sofrer, de se jogar... Viver é se arriscar! Parece frase de final de temporada de série americana, mas é verdade!" A pior das decepções é o melhor motivo para se tentar de novo!
Ela acenou com a cabeça e bebemos a isso: À incerteza que nos faz sentir vivas!
SOMOS MARAVILHOSAS, MINHA AMIGA! QUEM NOS PERDEU QUE CHORE...!